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“Escrever e Atuar”, por Dani Patarra

Posted by ac on 15th November 2007

fantasia

O primeiro filme que vi foi “Fantasia”, com uns três ou quatro anos. Nunca esqueci a sensação que tive no cinema: era aquilo que queria fazer na vida. Passei a infância brincando de ser personagens, de fazer teatro, escrever, dançar. E muitas vezes me imaginei sendo filmada. Engraçado que essas lembranças são enquadradas como se o filme fosse real: câmera do alto se aproxima da menina que caminha na floresta do acampamento, ela faz declarações ao mar e a sua rainha, come chocolate escondida debaixo do piano.

A primeira peça de teatro séria foi no Colégio Sagarana onde estudava. Roberto Santos veio mostrar “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” e assistiu ao nosso espetáculo. Meses depois, totalmente ao acaso (existe?), ele me convidou para fazer um teste. O mestre gostou de como eu encarava a câmera e nos emocionamos.

 foto dani 

Encontrei o cinema em seu penúltimo filme, “Nasce uma Mulher”. Descobri o mundo e o céu. Depois vieram outros trabalhos, cursos e uma bíblia chamada “A Preparação do Ator” de Constantin Stanislavsky.    

stanis

Escrevia cartas, alguns poemas e diários. Mas também quis fazer still, produção, assistência de direção e um curta. Quando minha filha Anna nasceu, resolvi ser roteirista para ficar em casa com ela. Terminei a graduação e fiz mestrado, Letras. Depois de três anos escrevendo roteiros de tele-educação, vídeos de treinamento, institucionais e campanhas políticas, cheguei ao que queria - ficção. Como evocadores de histórias, acho que somos narradores fingidores a narrar o que, de alguma forma, conhecemos. Ao criar personagens, imagino suas ações e diálogos revolvendo a minha memória de emoções - procuro sentimentos vividos por mim que sejam análogos aos deles. Para entendê-los preciso interpretá-los.

Como ensinou Stanislavsky, o trabalho de atriz, feito com corpo e alma, complementa o da autora. Tanto a arte da primeira como a obra da segunda são produtos da imaginação. Sentada à frente do computador, sem sequer descontrair os músculos, percebo um compasso entre a mente que cria e a alma que experimenta, desgosta, insiste, descobre, reconhece. Quando os dois ofícios entram em comunhão no ato da escritura, tenho a impressão de viver os personagens que crio, de pressentir o que eles sentem. E fico imensamente feliz quando choro com e como eles.   

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